• NOTÍCIA

Projeto de censo lésbico é atacado nas redes sociais com comentários transfóbicos

Radicais acusam LesboCenso de “submissão” a trans e “silenciamento” de lésbicas


Foto: Unsplash

Em nota pública divulgada no último dia 28 de janeiro, a coordenação nacional do LesboCenso pediu desculpas à população trans pelo que reconheceu ser uma reprodução de transfobia no questionário cuja finalidade é mapear o perfil de lésbicas brasileiras. Entre os 80 tópicos disponibilizados no formulário, a pergunta “Quem praticou a violência contra você?" oferece como uma das alternativas de resposta “pessoas trans” – sem fazer referência também a “pessoas cis”.


“Nós partimos do pressuposto que tanto pessoas cis quanto pessoas trans podem ser agentes de violência, mas ao colocar uma opção evidenciando apenas pessoas trans e não evidenciando pessoas cis na mesma medida, acabamos por violentar e estigmatizar ainda mais as pessoas trans”, explicaram as organizadoras do censo, através do texto. “O que se resulta disso demonstra o quanto ainda temos para assimilar e praticar valores de justiça, equidade e inclusão entre nós.”


A retratação, no entanto, foi atacada com uma série de comentários radicais, que acusam o LesboCenso de “submissão” a transexuais e travestis e “silenciamento” de lésbicas.



“É preciso muito privilégio e/ou medo de cancelamento para ceder às chantagens cotidianas desse grupo”, reclamou o perfil do Resiliência Espaço Cultural, que fica na Vila Penha, no Rio de Janeiro, e é exclusivamente destinado a lésbicas.


O perfil Memória Lésbica acusou “o movimento transativista” de ser uma “continuidade dos movimentos pelos direitos dos homens”. “Narcisistas perversos masculinos encontram vários meios de se infiltrar e acabar com tudo que ameace que percam suas prerrogativas (...). Óbvio que iriam atuar pra acabar com dados que desmascarasse (sic) a sua atuação violenta e usurpação dos nossos espaços auto organizativos!”, escreveu.


Em críticas ao posicionamento do LesboCenso, outras lésbicas usaram expressões como “um movimento liderado por homens pedindo a mudança” (escreveu o perfil do Podcast Sapataria) e “homens autoginefilos (sic)” (escreveu o perfil “sannavandel”).


LEIA TAMBÉM: No Rio, juízes divergem sobre aplicação da Lei Maria da Penha entre lésbicas Assassinatos de pessoas trans no Brasil caem, mas número permanece alto, mostram dossiês LGBTfobia não é ‘opinião’: saiba como denunciar esse crime

Resposta


No domingo, após a série de ataques, o LesboCenso publicou no Instagram um post através do qual avisa que “não serão toleradas mensagem que contenham conteúdos difamatórios, caluniosos e/ou transfóbicos” e que “as medidas legais estão sendo tomadas”. “Sempre nos colocamos e colocaremos para o debate, pois acreditamos que divergências são importantes para avançarmos nas nossas pautas. Mas debate tem que ser feito sem violência e sem desrespeito. Não é possível debater com Lesbofobia e Transfobia.”


O LesboCenso foi lançado em agosto de 2020 e pretende ser o primeiro mapeamento sociodemográfico nacional de lésbicas e sapatão. A pesquisa é realizada pela associação lésbica Coturno de Vênus e a Liga Brasileira de Lésbicas.