• EDITORIAL

Diadorim: jornalismo independente em defesa dos direitos da população LGBTI+

Agência produzirá reportagens, entrevistas e textos de opinião com foco em diversidade sexual e identidades de gênero no Brasil



Redação | 11 jan. 2021


Jornalismo independente e fora do armário. Assim é a Diadorim, agência de notícias sem fins lucrativos, dedicada à promoção dos direitos da população LGBTI+ brasileira, lançada neste início de 2021.


Pautado pela democratização da informação, com objetividade e transparência, o site reunirá reportagens, entrevistas e textos de opinião sobre temas caros para a comunidade LGBTI+ no Brasil, buscando fiscalizar o poder público, denunciar violências e promover um debate plural e crítico.


O projeto editorial, que alia pautas sociais e comportamentais, abordadas em profundidade, é uma resposta ao fortalecimento do conservadorismo no país e aos ataques sistemáticos que o jornalismo vem sofrendo. A inspiração vem de trabalhos como Lampião da Esquina e do Chanacomchana, publicações que circularam no país entre as décadas de 1970 e 1980 e deram base a uma imprensa alternativa e engajada na promoção da diversidade.


Todo o trabalho na Diadorim é voluntário. Além de uma equipe editorial fixa, a agência conta com um grupo diverso de colaboradoras e colaboradores, que nos ajudam com textos, ideias e no aperfeiçoamento do nosso projeto jornalístico. Embora tenha nascido com um pé em São Paulo e outro em Pernambuco, o objetivo é construir uma rede ainda mais ampla, com produção de conteúdo que reflita as diversas realidades regionais brasileiras.


O nome Diadorim é referência à personagem do livro "Grande Sertão: Veredas" (1956), de João Guimarães Rosa. Diadorim foi o grande amor do também jagunço Riobaldo, despertando nele inúmeras reflexões e dilemas ao vivenciar um afeto “dum jeito condenado”. Embora só se descubra no fim da história que Diadorim tinha corpo biológico feminino, a trama é toda construída sobre um relacionamento homoafetivo.


Tido como um dos símbolos LGBTI+ na literatura brasileira, em torno de Diadorim se desdobraram, ao longo dos anos, inúmeros estudos sobre transexualidade, masculinidades, feminilidades e homossexualidade.


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No mês de lançamento, a agência publica uma reportagem sobre a ausência de dados concretos de crimes contra LGBTI+ no país e a alternativa que ONGs encontraram para fazer um levantamento desses números – como é o caso do Grupo Gay da Bahia (GGB), responsável pela mais antiga pesquisa do tipo no país. Em entrevista, o antropólogo Luiz Mott, presidente do GGB, comenta as principais dificuldades para realizar esse trabalho, incluindo a relação entre Estado e Igreja.


Na seção "Entrevistas", há uma conversa com o escritor João Silvério Trevisan, um dos principais nomes da literatura LGBTI+ do Brasil e um dos fundadores do jornal Lampião da Esquina. Trevisan fala sobre a imprensa gay brasileira e o espaço ocupado na mídia por dissidentes sexuais, além de comentar momentos da história do movimento de luta pela liberdade sexual no país.


Na estreia, a Diadorim conta também com três textos de opinião, produzidos por colaboradores da agência. Um deles é do advogado, ativista e professor de Direito, Renan Quinalha, que lembra como a mobilização da comunidade LGBTI+ para ampliar o enfrentamento à pandemia de HIV/Aids se tornou um dos capítulos mais bonitos das lutas sociais no Brasil.


Outro texto é da psicóloga Mônica Gonçalves. Através de um relato pessoal, ela traça uma aproximação entre “homogêneos” na sociedade, pessoas que ocupam lugares “de escárnio e discriminação”.


Já o bacharel em Direito e militante da causa trans, Leo Paulino Barbosa, escreve com a advogada Rebeka Villa Verde Futuro sobre a situação de fragilidade e vulnerabilidade das pessoas transgêneras encarceradas – embora haja decisão da justiça que permite cumprimento de pena em presídio de acordo com identidade de gênero da pessoa presa.


Um quarto texto opinativo é assinado pelo advogado e mestrando em Filosofia Política, Paulo Malvezzi, co-fundador da Diadorim, no qual ele discute o "preço" da criminalização da homotransfobia no Brasil. Para Malvezzi, que foi coordenador geral do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), assessor jurídico da Pastoral Carcerária Nacional e assistente da Ouvidoria Geral da Defensoria Pública de São Paulo, embora simbólica, a decisão do STF endossa um direito penal estruturalmente excludente e discriminatório.


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